Especialmente no início da década de 1990, chegava aos clubes do futebol brasileiro um modelo novo de gestão. Grandes multinacionais, como a empresa italiana, Parmalat, por exemplo, desembarcou no Brasil e despejou um caminhão de dinheiro no Palmeiras. Montou uma grande e vencedora equipe. Depois, repetiu o mesmo modelo na equipe do Juventude, não tendo o mesmo sucesso que o outro alviverde.

Foi mais ou menos nesta época, que jogadores de outros clubes exigiam salários iguais ou até maiores que o Palmeiras pagava aos seus jogadores. Ou melhor, o que o patrocinador pagava, já que muitas contratações e salários eram negociados diretamente. Explica-se também, o início das dividas dos clubes, e um abismo que só foi aumentando até os dias de hoje, uma vez que começava uma briga de egos e poder entre eles.

Usei os dois parágrafos anteriores, para ilustrar um pouco o atual mercado musical sertanejo, do meu ponto de vista. O artista seria o jogador. A gravadora seria o clube. O patrocinador seria o escritório artístico. Especialmente nas décadas de 1980 e 1990 as principais gravadoras do Brasil, além de fazer o papel artístico junto ao artista na escolha do repertório, também administrava a carreira do mesmo. Naquela época, a venda do CD físico era a maior fonte de renda, tanto para um quanto para o outro.

O tempo passou, e o formato digital começou a ganhar força no mercado musical. Evidentemente que no sertanejo não foi diferente. As vendas de CDs caem drasticamente, fazendo com que muitas gravadoras fechem as portas, e contratos sejam interrompidos. E, nesta lacuna, começa a ganhar força a figura do escritório artístico, que vislumbra o potencial de ganhar dinheiro e estabelece uma nova forma de gerenciamento.

Antes da mídia digital, geralmente um disco era trabalhado por até dois anos. Hoje, até mesmo pela grande quantidade de artistas e pela procura de um hit, o artista lança uma música e na mesma semana já está atrás de outro sucesso. Praticamente inexistente no cenário musical, grandes produções de DVDs começam a ser realizados e bancados por investidores ou até mesmo pelos escritórios.

O artista entra com o “talento”, o escritório com a gestão e o networking, e o Investidor entra com o capital. Pronto. Tudo isso é a receita para um novo sucesso na música? Não. Muitas vezes sobra experiência em administração, mas, falta conhecimento musical para esses profissionais.

Cada vez mais, esses escritórios, estão inchando seus castings com novos e promissores artistas. Se levarmos em consideração os principais escritórios – Áudiomix, Workshow e FS Produções Artísticas – da música sertaneja, que, aliás, não tem apenas artistas do gênero, todos eles têm mais de dez artistas. E, assim como num clube de futebol, fica o questionamento: Tem espaço para todo mundo “jogar?” ou apenas para compor elenco, e mostrar para o “concorrente” quem é mais forte?

Com essa nova “tendência” artística, minha única preocupação é de que, em médio prazo, os artistas independentes acreditem que não podem prosperar na carreira, se não fizerem parte de um grande time. Por isso, que ainda vou seguir torcendo para que os pequenos clubes continuem sendo um celeiro de craques. E, no caso da música, um celeiro de artistas.

12 de setembro de 2016

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