Contratantes tem opiniões diferentes quanto a reabertura de casas de shows e grandes eventos

Com a proposta de entender e tornar público diferentes visões de profissionais do entretenimento, duramente atingidos pela pandemia do novo coronavírus, desde o mês de março, o Almanaque Sertanejo está realizando matérias sobre o assunto. Depois da publicação postada no dia 02 de junho sobre a visão do público em relação ao atual momento, agora é a vez dos contratantes de shows e eventos. Vale destacar que tentamos contato com outros profissionais que em um primeiro momento mostraram-se favoráveis a contribuir com a matéria. Após o envio das perguntas, por e-mail ou pelo aplicativo WhatsApp, não responderam mais nossas solicitações, até o fechamento desta matéria.

Por concentrar grande público, o setor do entretenimento foi o primeiro a parar, e de acordo com os especialistas da ciência e medicina provavelmente será o último a ter a sua retomada em um “novo normal”. Todos os eventos e shows que causam aglomerações de público foram cancelados, seguindo orientações da Organização Mundial de Saúde, como uma forma de conter a disseminação. Com isso, artistas, músicos, proprietários de casas de shows e eventos, além de milhares de profissionais informais ficaram sem nenhuma fonte de renda. Segundo especialistas da ciência e medicina, ainda sem uma vacina ou algum remédio eficiente para combater a doença, a única alternativa, até o momento, para que não aumente o número de infectados, e consequentemente de mortes, é o distanciamento social.

Alan Francino é proprietário da Oceania Eventos, com sede na cidade de Campinas/SP, e conhecida como uma das maiores agências artísticas do Estado de São Paulo. Desde 2001 atuando no mercado de entretenimento, e com uma média de 60 shows e eventos por ano, a empresa tem atuação destacada em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás. Artistas como Jorge & Mateus, Nando Reis, Roupa Nova, Sandy, Titãs, Seu Jorge, Zé Neto & Cristiano, Paula Fernandes, Lenine, entre outros, já se apresentaram sobre a tutela da Oceania Eventos. “Na minha opinião a volta de eventos de qualquer natureza que tenha aglomeração de pessoas deverá ocorrer somente após a indicação dos órgãos internacionais na área de saúde, como a Organização Mundial de Saúde. Acho que esta sinalização tem que vir da ciência. Não acredito em um novo normal a curto prazo, sem uma vacina ou tratamento confiável”.

Ricardo Valentim Pires, sócio da Pepis, uma das mais importantes casas de show da cidade de Indaiatuba, no Estado de São Paulo, tem uma opinião favorável quanto a reabertura. “Temos ciência que seremos os últimos a reabrir. Tudo requer mudanças, adequações que todos farão. Sobre tratamento, vejamos o caso do Doutor David Uip tratado e curado com Hidroxicloroquina, Azitromicina entre outros medicamentos com excelentes resultados. O que não pode é matar o povo com a conversa de aguardar o remédio da cura plena”. Vale destacar também que em matéria publicada pelo portal UOL, no dia 07 de abril, o médico David Uip não admitiu o uso da medicação. “Eu não me prescrevi. Se eu tomei ou não antibiótico ou qual droga para febre e para enjoo é algo pessoal. Como eu respeito meus pacientes, gostaria de ser respeitado. Não faço isso para esconder nada, mas não quero transformar meu caso em modelo para coisa alguma”, disse. O Ministério da Saúde divulgou, no mês de maio, nova orientação para os médicos do SUS, permitindo o uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina – usadas contra a malária e doenças autoimunes, como lupus – na fase inicial da covid-19. O uso dos remédios, sem eficácia comprovada, é alvo de críticas de associações médicas. Vários estudos internacionais vêm mostrando que não há evidências de que elas funcionem contra a covid-19.

Vitor Pontes, diretor Institucional da Folk Valley e AME Club e sócio da Laroc Club, todas elas na cidade de Valinhos, interior do Estado de São Paulo, não é favorável a retomada dos eventos, sem nenhuma medida segura eficiente. “Acredito que sem uma real solução para a doença, produzir eventos será sempre um risco de contaminação, por isso enquanto existir riscos e sem a possível “vacina” ou medicamento comprovadamente eficiente contra o vírus, não sou a favor da realização de eventos com grandes aglomerações”.

Valdir Alencar, da Alencar Produções, sediada em Indaiatuba/SP, está no mercado há 18 anos organizando e produzindo eventos e shows por todo o Brasil. Ele é favorável a volta dos eventos, de forma que evite uma crise ainda pior para o mercado de entretenimento. “Tendo em vista a flexibilização de amplos setores da economia, minha opinião é a de que sim, os eventos devem retornar. É inevitável a retomada dessas atividades para que se evite a falência total do referido setor”.

Para Francisco Filho, da Chicão Shows, atuante empresário da cidade de Campinas/SP, o atual cenário não colabora para a retomada dos eventos. “O setor de shows, entretenimento, casas noturnas, etc., serão os últimos a voltar. Dá um pouco de tristeza porque sabemos que uma grande massa de trabalhadores depende do setor de entretenimento para sobreviver. Mas, também sabemos que o momento é de cautela. Estamos falando de uma pandemia que realmente tem ceifado vidas, e cabe as autoridades fazerem esta equação entre salvar vidas, salvar empregos e salvar a economia! Vai ser muito difícil termos shows neste ano se as taxas de infectados continuarem altas”.

Eloy Carlone, proprietário da casa de shows Estância Alto da Serra, em São Bernardo do Campo/SP, mostra cautela em relação de quando será possível a retomada dos shows, mas, é favorável, seguindo todas as orientações sanitárias propostas. “Sou a favor! Óbvio que respeitando todas as normas da Organização Mundial de Saúde e diretrizes estipula das pelo governo. O público precisa do lazer e alegria que os shows proporcionam. Apesar de ser prematuro dizer quando e de forma voltaremos, sou a favor. Credibilidade, transparência e cuidados em cada detalhe ainda será a tônica dos futuros eventos”.

Marco Antonio Tobal Junior, é sócio diretor do Grupo São Paulo Eventos, que compreende as casas Espaço das Américas, Expo Barra Funda e Villa Country, todas elas localizadas em São Paulo/SP. Ele se mostra favorável a reabertura, seguindo os critérios impostos pelos órgãos sanitários. “A retomada se dará diante do que for possível e permitido pelos órgãos de saúde. A Villa Country vai se adequar ao padrão de restrição que for imposto para a nossa atividade, para a nossa capacidade. É provável que tenhamos que restringir a capacidade do público, trabalhar com um ou outro ambiente fechado, ou abrir apenas um ambiente por noite, mas vamos nos adaptar aquilo que for proposto”.

A Festa do Peão de Americana, em Americana/SP, é aclamada um dos maiores eventos do Brasil. Tradicionalmente realizada no mês de junho, a festa foi adiada para o mês de setembro. Em nota, o Clube dos Cavaleiros de Americana espera a evolução do atual cenário para uma melhor avaliação. “O Clube dos Cavaleiros de Americana informa que está acompanhando toda a evolução da covid-19 no país, na região onde está localizado o município de Americana e analisando todas as possibilidades, tendo a saúde como principal foco. É importante ressaltar que ainda estamos em maio (mês da entrevista) e a edição 2020 está programada para setembro. Próximo ao período que antecede a festa, teremos uma melhor avaliação sobre a real situação”.

Sergio Santos, diretor do Sumaré Arena Music, em Sumaré/SP – evento reconhecido por garantir segurança e conforto para o público e marcado para acontecer no mês de outubro – analisando o atual momento, não se mostra favorável a sua realização. “Fazer um evento que já tem tradição, com restrição, tendo o uso de máscara ou ter um número limitado de público, não é algo imaginável no momento. Acredito que nessas condições para um evento de grande porte, não seria possível realizar, até pensando em preservar vidas. O Sumaré Arena Music é um evento de alto nível que respeita todas as normas vigentes do país. Nosso respeito é sempre pelo bem maior que é a vida. Quem já esteve dentro do nosso recinto sabe que a segurança é fator fundamental do nosso espetáculo. Peço a Deus que conforte os familiares daqueles que perderam seus entes queridos e quando as autoridades chegarem a conclusão que podemos fazer uma festa linda como “A Mais Charmosa do Brasil” vamos com certeza proporcionar noites de alegria”.

PARCERIAS
Ainda sem saber quando e em quais condições os shows podem voltar, uma coisa que é unânime para todos os entrevistados é a parceria entre contratantes, funcionários, fornecedores e os artistas. “O bom senso requer que neste momento colaboradores e contratados terão sua parte no sacrifício monetária até a volta da normalidade”, comenta Ricardo Valentim Pires.

“Caso os fornecedores de estrutura e logística para eventos, empresários de artistas, Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), impostos e outras despesas atribuídas ao setor não sejam readequadas, a conta não irá fechar tão cedo!”, garante Vitor Pontes. “Tem que começar com festas menores, contratações parceiras referentes a custo e um planejamento mais criterioso para ter um parâmetro e descobrir se a conta fecha ou não no “novo normal”. Mesmo assim creio que não fecha no início”, acredita Valdir Alencar.

“Acredito sim que será possível contratar artistas. Essa adaptação à nova realidade acontecerá para toda a cadeia artística, em todos os níveis. Haverá readequação de preços, de cachês, de custos, o fluxo econômico vai ter que se reequilibrar”, explica Marco Antonio Tobal Junior. “Toda essa situação atual, a pandemia, de forma mundial, fez com que a classe se unisse em prol de uma causa. Temos confiança de que, quando e se for liberado os shows, conseguiremos boas negociações para que se efetive os eventos. E com essas negociações a conta fechará e conseguiremos viabilizar o evento”, espera Eloy Carlone.

Diego Vivan
Diego Vivan
Assessor de Imprensa – Diego Vivan www.estrategicassessoria.com

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