Lucas Lucco: Mais do que ser artista, ele representa a divindade em forma de canção, emoção e conscientização

Em 2014, através do meu blog Almanaque Sertanejo, tive a primeira oportunidade de fazer uma entrevista, exclusiva, com o Lucas Lucco. Na ocasião, falamos do segundo CD de sua carreira, “Tá Diferente”, além da repercussão de seus clipes que já vinha emocionando e tocando o coração de tantas pessoas. O que ninguém sabe é que quando recebi o convite para entrevistá-lo, fui um pouco desconfiado do que encontraria, ao mesmo tempo que bastante ansioso para conhecer o tipo de artista que estaria diante de mim.

Eu como jornalista tenho a obrigação e a missão de levar a informação até o leitor. Não posso em hipótese alguma criar um “bloqueio”. É minha obrigação ouvir a história, apurar as informações, e transformar isso em forma de notícia. De uma maneira geral, o ser humano já é um pouco complicado. Nós “vemos”, mas, não procuramos “enxergar”. Perceba a diferença. Somos preguiçosos demais em avançar ao mar, preferimos ficar ali na margem apenas.

Não quero que essa seja apenas uma matéria, exclusiva, com o Lucas Lucco. Tenho que transformar esse texto além de uma notícia ou narrativa. Quero contar uma história, e através dela, motivar os leitores sempre enxergar além dar margem. Uma história real, que os leitores, as pessoas, possam ter a sensibilidade de saber sobre o artista Lucas Lucco, mas, também o privilégio de conhecer o ser humano Lucas Lucco, que vai muito além dos palcos.

Em março de 2014, quando cheguei a um hotel na cidade de São Paulo/SP, para entrevistá-lo, o Lucas Lucco recebeu-me em uma sala. Ali tinha uma cadeira simples e uma poltrona bastante aconchegante. Ele fez questão que eu me sentasse na poltrona, confortavelmente, enquanto ele ficou a minha frente, sentado na cadeira. Esse gesto já foi o suficiente para que eu notasse que estava diante de um artista e ser humano “diferenciado”.

No clipe da canção “Mozão”, o cantor participa da produção de todo o roteiro, e mostra a história de uma personagem que recebe o diagnóstico de câncer de mama. Ao longo da história, ela se submete ao tratamento e vence a doença. No final do vídeo, algumas mulheres dão depoimentos sobre suas histórias de superação. Naqueles dias, uma tia minha havia sido diagnosticado com câncer de mama. Agradeci ele pela sensibilidade de retratar e deixar uma mensagem positiva diante de uma doença tão agressiva.

“Procuro colocar em minhas composições o que sou de verdade. Tanto a produção das músicas, quanto dos clipes, faço questão de participar de todos os detalhes. Procuro ser verdadeiro em tudo que faço, acredito que seja por isso que tenho conseguido tocar o coração das pessoas, pois procuro mostrar através do meu trabalho quem realmente eu sou de verdade”, respondeu ele, bastante emocionado, e com os olhos lacrimejados.

“Recebi muitas mensagens. Não esperava que o clipe pudesse ter toda essa repercussão e que fosse gerar tanta alegria e esperança que o câncer tem cura. Fiquei muito feliz. A mensagem que quero transmitir é que devemos valorizar e dar atenção, amor e carinho para as pessoas enquanto você tem, pois a vida é passageira”, concluiu.

Antes de terminar a entrevista, naquele dia, conversamos mais um pouco sobre a gravação do seu primeiro DVD que ainda aconteceria, e fizemos algumas fotos. A partir do momento em que sai daquela sala, tive a certeza que aprendi ainda mais como jornalista, e também amadureci como ser humano. Tive uma aula de humildade e sensibilidade. O universo, Deus, havia me presenteado com uma enriquecedora experiência de vida.

Quase três anos mais tarde, em fevereiro de 2018, fui convidado para assessorar o show do Lucas Lucco e do MC Lan, em Campinas/SP. Após o atendimento de camarim com os fãs e a imprensa, pedi ao seu produtor que pudesse entrar para agradecê-lo. Assim que entrei no camarim para cumprimentá-lo, aguardei a minha vez, e ele já havia me visto. De longe, apontou o dedo pra mim e disse: “Eu me lembro de você”. Eu não estava acreditando que ele iria se lembrar de uma entrevista de três anos atrás.

Quando cheguei até ele, o cumprimentei, e ele sempre com um abraço cheio de afeto, respeito e carinho, perguntou como eu estava, e que estava feliz em me “rever”. “Será que você se lembra mesmo? Faz três anos que entrevistei você”, perguntei pra ele. Aí, ele responde: “Pode crer. Foi em um hotel lá em São Paulo”. Sim, e ele ainda deu detalhes da entrevista, inclusive lembramo-nos da minha tia que havia sido diagnosticado com câncer de mama.

Terminando aqueles poucos minutos de “bate papo”, despedimo-nos, abraçamo-nos, e ele com as duas mãos segurou a minha mão direita, e deu um beijo nela. Saí daquele camarim, sem chão, não sentia meus pés. Estava diante de um anjo, de um artista, de uma pessoa, com uma sensibilidade que eu nunca havia conhecido anteriormente. No meu silêncio, apenas agradeci a Deus o privilégio desse novo encontro.

Oito meses mais tarde, fui convidado pela assessoria de imprensa dele para entrevista-lo sobre o seu mais recente projeto, o DVD “A Origem”. Claro que topei. Ainda mais porque gostaria de dizer a ele como que a entrevista de 2014 me fez aprender. Mas, também devia um pedido de “perdão” que, até então, ainda não havia tido a oportunidade de pedir.

O local da entrevista foi, mais uma vez, a cidade de São Paulo, porém, na Deezer. Fiquei próximo a sala aguardando o meu horário. No intervalo entre uma entrevista e outra, o Lucas Lucco saiu da sala, passou por algumas pessoas, me viu, e disse: “Que bom te ver aqui brother. Tá ligado que depois vai rolar um pocket show, né? Você vai ficar, né?”, perguntou ele. “Claro, vou sim. E acho que vamos bater um papo rapidinho”, respondi.

Chegou a minha vez, entrei na sala, e diferente da primeira entrevista, meu tempo foi bem curto, não daria pra fazer nem metade das perguntas que eu gostaria. Mas, era tempo suficiente pra eu pedir a ele “perdão”. Ele havia me emocionado tanto nos dois encontros anteriores. E, desta vez, eu já entrei emocionado. Novamente lembramos – e ele fez questão de lembrar – da entrevista de 2014, e do show de fevereiro deste ano, em Campinas. Até da minha tia ele perguntou.

“Lucas, preciso te pedir perdão! Perdão porque em 2014 quando fui entrevista-lo, já fui com um “pré-conceito”. Da possibilidade de conhecer, apenas, mais um artista que o mercado fabricou. E, eu como jornalista, jamais poderia entrevistar uma fonte, com nenhum tipo de barreira. E eu criei. Mas, você quebrou. E, sem querer, você me ajudou a enxergar além do artista. Você me fez aprender como jornalista e amadurecer como homem. Perdoa-me?”, pedi olhando pra ele.

Em minhas anotações havia listado alguns tópicos. “Você lançou “Mozão” que fala do câncer de mama, “Quando Deus quer” que mostra a importância do deficiente físico na sociedade, “Time de anjos”, em homenagem as vitima do voo da Chapecoense, o DVD “A Origem” com libras, uma forma de que toda a sociedade possa ter acesso ao conteúdo, sem citar “Pra te fazer lembrar de mim” e “11 vidas”, entre outras músicas. Mano, suas músicas vão muito além. Você tem uma missão aqui, que é de tocar o coração das pessoas, através das suas canções, do seu trabalho”, disse pra ele.

Mozão:

Quando Deus quer:

Ele, emocionado, segurando em meu braço, respondeu-me, e me emocionou mais uma vez. “Irmão, para. Pelo o amor de Deus, você não tem que pedir perdão de nada. Você não tem a obrigação de conhecer ninguém. Nós seres humanos, artistas, é como uma lâmpada. Tem vários mosquitos em volta. E, nem sempre conseguimos enxergar o que está além da luz. Sou eu que tenho que agradecer por você ter preparado todo esse material, pontuado. Isso mostra a sensibilidade que você tem, que quase ninguém consegue ter”, respondeu ele.

“Fico feliz por você ter pontuado a minha missão. Nós temos uma casca para chamar a atenção das pessoas. A música é isso, apenas, para chamar a atenção das pessoas. E eu fico feliz por você ter percebido e ter tido toda essa sensibilidade com o meu trabalho”, disse ele. Depois, ainda falamos do seu novo DVD que já teve algumas faixas divulgadas, no Youtube, como “Briguinha boba” e “Posto 24h”.

Briguinha boba:

Posto 24:

Gravado em Goiânia/GO, o DVD “A Origem” é uma reverência ao início da carreira de Lucas Lucco, que nasceu em Patrocínio, cidade do interior do Estado de Minas Gerais, mas, começou a cantar na capital de Goiás. O DVD apresenta a incorporação de ritmos como a bachata, arrocha e forró, desaguando no sertanejo. O novo projeta conta com as participações de peso de Maiara & Maraisa, Wesley Safadão, Gustavo Mioto, Kevinho, Léo Santana, Israel & Rodolffo e Padre Fábio de Melo.

“Gravei o meu primeiro DVD na minha cidade natal, Patrocínio, interior do Estado de Minas Gerais. Não havia lugar mais perfeito que a minha terra pra eternizar em imagem e música o meu primeiro grande trabalho e repertório. Uma das minhas músicas preferidas e mais executadas “O destino” deu nome a esse mesmo trabalho lançado no ano de 2014”, disse.

“Agora, tive a oportunidade de gravar meu segundo DVD, em Goiânia/GO, onde tudo começou pra mim profissionalmente, onde o “Lucas Lucco” deu os primeiros passos e fez os primeiros shows. Sou mineiro de todo meu coração, mas, também criei raízes em Goiás durante anos de trabalho musical. Não me veio outro nome na cabeça a não ser “A Origem”. Imagino que esse nome já expresse tudo. É mais do que um segundo grande trabalho, também é uma forma que eu encontrei de expressar gratidão a esse estado/cidade que me recebeu de braços abertos e que me acolheu lá em 2012”, explicou.

Divertir, emocionar, conscientizar, ou simplesmente levar uma mensagem, através da música. Essa é a missão do artista, e do ser humano, Lucas Lucco. E, como canal de divulgação dessa missão, posso afirmar sim, que sou um privilegiado em tornar público, através do meu trabalho, essas mensagens – em forma de entrevista e texto – de carinho, respeito, amor e fé. Gratidão.

(Foto: Pedro Henrique)

Diego Vivan
Diego Vivan
Assessor de Imprensa – Diego Vivan www.estrategicassessoria.com

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